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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Qual a fórmula da Educação de qualidade?

Imaginem uma sala de aula convencional, como tantas que conhecemos, inclusive aquela em que você estudou ou que estudaram seus pais. O que lhe vem à cabeça? Uma mesa de professor tendo às costas um quadro negro? Fileiras de carteiras? O andamento da aula, com os alunos voltados para o professor, prestando atenção ao que é por ele ensinado? Atividades e tarefas sendo colocadas na lousa para que os alunos trabalhem individualmente e em silêncio?Pois esta é a escola de ontem e que continua sendo aquela que está em uso nos dias de hoje na maioria das cidades do país e em várias partes do mundo. E, creiam, continuará ainda a ser a dura realidade pela qual terão que passar milhões de estudantes. Sua perspectiva continuará sendo retilínea (olhar para a lousa e para a cabeça de seu companheiro instalado a sua frente), individualista, pautada naquilo que o professor (o detentor dos conhecimentos) estiver ensinando e, em grande parte dos casos, repetidora de conteúdos.


Faltam então as inovações tecnológicas? Computadores e Internet seriam a resposta adequada? Precisamos equipar as escolas com modernos “gadgets” (termo usado pelos especialistas em tecnologia para falar sobre os recursos eletrônicos incorporados ao cotidiano), como câmeras digitais, netbooks, redes wireless, scanners e tantos outros instrumentos de alta tecnologia para que surja a escola do futuro? Ou será que nos faltam revolucionários métodos de ensino que estimulem o processo de ensino-aprendizagem, gerando verdadeiro interesse e participação dos estudantes? Neste caso, seriam necessários também materiais didáticos inovadores e o preparo dos professores para seu uso, não é mesmo?

Talvez a resposta esteja na melhoria das relações entre professores e alunos. Quem sabe um aprofundamento em psicologia e relações humanas para os docentes acabe promovendo um intercâmbio, uma ponte bem constituída para a efetivação da educação nas salas de aula brasileiras.

Outra possibilidade pensada por muitos se refere à ideia de que para tudo modificar é preciso melhorar a qualidade do trabalho dos gestores das redes e escolas brasileiras. Se tivermos por parte dos gestores maior foco e cobrança - tanto em relação a eles quanto deles sobre os professores e demais profissionais da escola -, planejamentos e execução meticulosa de projetos educacionais, iremos obter melhores resultados nas salas de aula. Há também os que pensam ser indispensável aumentar a participação dos pais na vida escolar dos filhos, não apenas na questão das notas, mas também conhecendo os professores, participando de eventos etc.

Existem ainda aqueles que acreditam que a escola precisa estar mais atenta às mudanças da clientela que atende, ou seja, de seus alunos. Os estudantes do século XXI têm outro perfil, são mais ligados na informação, mas não sabem transformar todos os dados aos quais têm acesso em conhecimento. Como lidar com isto? E mais: de que forma tornar as escolas palatáveis aos olhos desta geração tão plugada e íntima das tecnologias? Desprezar esta realidade é sacrificar qualquer tentativa de melhorar a qualidade da educação no país.

Outra corrente advoga a ideia da aproximação entre Educação e Cultura para que ocorra um aprendizado lúdico, diferenciado, verdadeiramente estimulante aos olhos dos estudantes e mesmo dos professores. Cinema na escola, teatro, artes plásticas, música, dança e literatura deveriam ser colocados em pauta e transformados em meios e recursos para tornar nossas salas de aula locais em que a aprendizagem realmente acontece.

Não podemos ignorar os esforços que já estão sendo realizados para “mensurar” a educação e permitir que, através das informações coletadas, possamos entender os dilemas de nosso sistema educacional para resolver seus problemas. Há quem acredite que este esforço inicial de compreensão dos problemas educacionais a partir de exames nacionais, estaduais ou municipais das redes, escolas, professores e alunos já é mais de meio caminho andado rumo às soluções.

A formação e atualização dos conhecimentos e práticas educacionais utilizadas pelos educadores é outra forte vertente sempre colocada em pauta quando se discutem soluções educacionais. O assunto envolve ainda discussões sobre salários melhores, reconhecimento do esforço individual e coletivo de redes e escolas, gratificações e bonificações - alguns outros “nós” que estrangulam e impedem uma educação de qualidade. Investimentos em laboratórios e projetos de ciências, bibliotecas e quadras esportivas também são colocados como alternativas importantes. Até mesmo o ensino religioso e as disciplinas que trabalham a filosofia, a sociologia, as relações humanas, a ética, a moral e a cidadania são pensados como projetos importantes. Mas, como podemos realmente efetivar transformações que modifiquem a visão inicialmente apresentada neste artigo e que evidencia uma triste e dura realidade vivida em nossas escolas, com nossos estudantes tendo dificuldades até mesmo para as mais básicas ações, como ler, escrever e fazer cálculos matemáticos? Quem tem razão neste emaranhado de soluções que já estão sendo realizadas de forma isolada em escolas brasileiras? Seria possível apontar um destes caminhos como sendo a chave que irá desencadear a imprescindível revolução pela qual nossa educação precisa passar para alcançar a tão sonhada qualidade?

Tive a preocupação de enumerar toda esta série de ideias porque, na realidade, acredito que a escola de nossos sonhos só irá surgir a partir do momento em que conseguirmos concatenar e realizar todas as ações aqui listadas - além de outras tantas a serem sugeridas. Tenho consciência de que isso só acontecerá após planejamento e intercâmbio de experiências, com o apoio decisivo da sociedade e vontade política para tal, com investimentos e, principalmente, num contexto de confiança, solidariedade e disposição real para que esta transformação ocorra.

Creio que a educação de qualidade é o elemento decisivo para completar a transição de que o Brasil precisa rumo à justiça social, ao desenvolvimento econômico e à superação de suas mazelas e incongruências. A educação de qualidade poderia legar ao país maior qualificação da mão-de-obra, preparação para o exercício pleno da cidadania, a diminuição dos índices de violência, maior preocupação e ações em prol do meio ambiente, redução dos casos de doenças e gastos com saúde, combate sistemático à corrupção, aumento dos índices de produtividade na economia, inserção mais rápida ao mundo tecnológico, entre tantos outros benefícios.

*João Luís de Almeida Machado é editor do Portal Planeta Educação; doutor em Educação pela PUC-SP e autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema".

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MEC estuda ampliar carga horário do ensino médio

A intenção é induzir os estados a saírem do atual modelo, dividido em disciplinas, para uma forma mais flexível, mais próxima por área de conhecimento
O Ministério da Educação (MEC) planeja aumentar a carga horária do ensino médio em 25%, passando das atuais 2.400 horas para 3 mil por ano. Dessas 600 horas a mais, 120 poderão ser usadas para disciplinas de livre escolha, desde aulas a mais de matemática ou português até teatro, música, artes ou esportes. A proposta, encaminhada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), servirá de subsídio para estados que desejam alterar o atual modelo de ensino médio, considerado ultrapassado pelo Ministério. O MEC não tem o poder de definir a estrutura do ensino médio, atribuição de cada um dos estados. Em nível nacional, essa composição é determinada pelo CNE, um currículo mínimo, e pelas diretrizes nacionais, que mostram o que um estudante precisa saber depois de três anos de estudo.


A intenção é induzir os estados a saírem do atual modelo, dividido em disciplinas, para uma forma mais flexível. Para isso, o Ministério pretende que o CNE aprove as propostas de alterações de diretrizes com as recomendações de mais horas-aula, disciplinas eletivas e uma formulação mais livre, com o currículo organizado em núcleos temáticos. De acordo com o diretor de concepções e orientações curriculares para educação básica do MEC, Carlos Artexes, as disciplinas não necessariamente desaparecerão, mas a ideia é que sejam aproximadas por área de conhecimento. Conforme o presidente da Câmara de Educação Básica do CNE, Francisco Cordão, a proposta não é substituir um tipo de grade curricular por outro, mas que os professores possam trabalhar em conjunto.


Além das novas diretrizes, o Ministério deve entrar com recursos. Até o final deste ano, a intenção é assinar convênios para projetos-pilotos de novos modelos com os estados interessados. Até agora, o MEC tem recursos para financiar cem escolas com as menores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), onde serão testados os novos modelos didáticos.


Ensino Infantil - Além do ensino médio, o Ministério da Educação (MEC) pretende redesenhar a educação infantil, para alunos de zero a seis anos, solucionando as deficiências detectadas no ensino nessa fase. Com esse objetivo, o questionário “Indicadores da Qualidade na Educação Infantil” começou a ser distribuído ontem (04), em Curitiba (PR), durante o Fórum da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).


Segundo a secretária nacional da Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda Almeida e Silva, a proposta é para que as avaliações sejam feitas com o máximo possível de participantes da comunidade, tendo como objetivo a melhoria da qualidade da instituição. O resultado da aplicação do questionário permitirá o levantamento de indicadores que serão analisados, aos quais serão atribuídos os conceitos (bom, merecedor de atenção ou grave). Além de avaliar a qualidade das unidades, o instrumento auxiliará na formação dos professores. Ainda serão enviados cerca de 300 mil questionários a escolas infantis, conselhos municipais e secretarias de Educação de todo o País.